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…revirando até chegar do outro lado…

February 23rd, 2007

Hoje, enquanto lia o artigo de Luciano Costa no iMasters sobre profissionais de TI e sustentabilidade, me veio algumas antigas questões em mente sobre qual o papel que cada um de nós desempenhamos nas empresas que trabalhamos. Luciano diz:

“… um dos grandes desafios dos profissionais de Tecnologia da Informação é entender a estratégia e a natureza das organizações. Estudos realizados por instituições como o grupo IT Mídia desde 2002 indicam que a maioria dos CIOs prefere ter ao seu lado profissionais que sejam capazes de analisar o desempenho da empresa, avaliar riscos e participar do planejamento estratégico.”

Legal, então profissionais que analisam o desempenho da empresa, avaliam riscos e participam do planejamento são mais “bem cotados”. Porém, o que eu vejo é que muitas vezes a cultura da empresa vê com maus olhos esse tipo de pessoa. Já vi vários casos (e não somente em empresas de TI) de pessoas que são demitidas ou “encostadas” por questionarem atitudes, decisões ou métodos de seus “chefes”.

Este é o ponto onde eu queria chegar: Muitas empresas pecam por nomearem chefes no lugar de formarem líderes. Acredito que todos nós já tivemos (ou ainda temos) péssimos chefes. Assim como todos nós também temos líderes que admiramos.

Logo, devemos sempre refletir com muito carinho sobre qual papel estamos exercendo: o de chefe ou de líder. Agora temos aqueles que dizem: “Mas eu sou apenas um [estagiário, profissional junior, orelha seca, peão, auxiliar, etc.]… Não posso fazer nada…” Eu sempre acho que todos os chefes e líderes que encontramos já foram um dia um [estagiário, junior, orelha seca, ou qualquer coisa do tipo]. Então qual a diferença?

A diferença está na ATITUDE. Um líder é SEMPRE incomodado, preocupado, motivado, um verdadeiro team player. E quando falo de líder, não estou falando de quem dá as ordens, estou falando de quem tem ATITUDE de Líder. Liderança não depende de nível hierárquico, escolaridade, cultura ou salário.

E aí, você é um chefe ou um líder?

… eu quero ser um líder.

Transformando Suor em OuroPS: Este post também serve como indicação de um ótimo livro que terminei de ler essa semana, por indicação do Vítor Pamplona: Transformando Suor em Ouro, do Bernardinho. O livro relata todas as fases da carreira deste grande profissional e explica como se transforma suor em ouro. Este livro, ao contrário do que parece, fala muito sobre ego, vaidade, orgulho, e outras características muito comuns de nós, profissionais de TI. Explica o que é uma equipe, e como formar um time! Recomendo fortemente!

January 29th, 2007

Mais uma recomendação de livro: “Nosso iceberg está derretendo” de John Kotter e Holder Rathgeber. Este livro fala sobre mudança através de uma fábula sobre pingüins que vivem em um iceberg que está prestes a despedaçar-se em pedaços menores. O livro apresenta um método de Kotter que ele chama de “O processo da mudança bem-sucedida”. Este processo consiste em 8 passos para a mudança, vou transcrever na íntegra aqui, é bastante interessante:

Crie a estrutura

1. Demonstre a urgência. Ajude os outros a ver a necessidade de mudança e a importância de uma ação imediata.
2. Reúna a equipe orientadora. Certifique-se de que um grupo seguro orientará a mudança – um grupo com habilidades de análise e liderança, credibilidade, capacidade de comunicação e consistência da urgência.

Decida o que fazer

3. Desenvolva a visão da mudança e a estratégia. Esclareça como o futuro será diferente do passado e como é possível torná-lo realidade.

Faça acontecer

4. Comunique-se para ser entendido e apoiado. Faça com que o maior número possível de pessoas entenda e aceite a estratégia.
5. Divida as responsabilidades.
Remova o máximo possível de obstáculos, facilitando a ajuda de todos que querem tornar realidade a mudança.
6. Demonstre vitórias em curto prazo.
Divulgue os sucessos sempre que eles aconteçam, sejam grandes ou pequenos.
7. Não relaxe. Pressione cada vez mais após os primeiros sucessos. Inicie a mudança após mudança até que o objetivo se torne realidade

Solidifique a mudança

8. Crie uma nova cultura. Reforce os novos comportamentos e certifique-se de que serão bem-sucedidos até se tornarem suficientemente fortes para substituir as antigas tradições.

Lendo este livro percebi que a proposta de Kotter é bem parecida com abordagens para Melhoria de Processo que tenho estudado, por exemplo:

  • PDCA [1]: Plan (Planejar), Do (Implementar), Check (Verificar), Act (Agir corretivamente);
  • IDEAL [2]: Início, Diagnóstico, Estabelecimento, Ação, Aprendizado;

Logo, abordagens para Melhoria de Processos exigem muitas mudanças, desde culturais, organizacionais e até mesmo de infra-estrutura sendo que o método de Kotter também pode trazer bons ensinamentos nesta área.

Recomendo a leitura do livro, tem fontes bem grandes e várias figuras. Eu li o livro todo em menos de uma hora. É bom para quem não gosta de ler.

Referências:

  • KOTTER, John; RATHGEBER, Holger. Nosso iceberg está derretendo. 1ª Edição, Best Seller: 2005, ISBN 857684172X
  • [1] DEMING, W. Edward. Out of the Crisis. Cambridge, MIT
    Center for Advanced Engineering Study: 1986, ISBN 0911379010.
  • [2] McFEELEY, Bob. IDEAL – A User’s Guide for Software process
    Improvement. Handbook CMU/SEI-96-HB-001: 1996, Disponível em http://www.sei.cmu.edu/publications/documents/96.reports/96.hb.001.html.
  • Resenhas no Submarino.com.br
  • Comentário sobre o livro no blog Anklan.Net
January 24th, 2007

Essa semana terminei de ler o livro “Você Está Louco!” de Ricardo Semler. Este livro é sensacional, afinal eu adoro tudo que toca na ferida e esse livro faz isso o tempo todo, sem distinção de cor, sexo, classe social ou seguimento de mercado.

Para quem não sabia (como eu por exemplo), Ricardo Semler é realmente um empresário de sucesso: eleito duas vezes Empresário do Ano do Brasil e uma vez da América Latina, eleito pela revista Time um dos 100 futuros líderes do mundo, escolhido como um dos Líderes Globais do Amanhã pelo Fórum Econômico de Davos, eleito pelo Financial Times um dos gurus mundiais de business, teve seu primeiro livro, “Virando a própria mesa” publicado em 31 idiomas em 134 países vendendo mais de 2 milhões de exemplares, best seller em 16 países, etc. etc. etc…

Enfim, não conhecia. Ganhei esse livro de presente dos meus ex-eternos-colegas de trabalho (Anderson Paulino, Gabriel Lescano e Anderson Vasconcelos) de presente de aniversário. O livro é realmente cativante, é um relato de vários (e bota vários nisso) projetos do autor nas mais diversas áreas.

Ele começa falando sobre um primo que tinha um capital e publicou um anúncio no The New York Times intitulado “Jovens com Capital Ilimitado” pedindo propostas de negócio. A idéia escolhida foi abrir um estúdio de música em Nova York e fazer uma festa de inauguração. Procurando o lugar, resolveram fazer uma festa maior e alugaram uma fazenda num lugarzinho chamado Woodstock. O resto nós já sabemos. A idéia era uma festinha com no máximo 50 mil pessoas, extrema arrogância para a época (o recorde de público era de 40 mil). Resultado: 250 mil pessoas apareceram! Nos relatos do livro, tudo aconteceu mais ou menos assim.

Alguns exemplos do modelo de gestão da Semco:

  • Liberdade para escolha do horário e do local de trabalho (inclusive em casa)
  • Os subordinados que escolhem seus “chefes”
  • As decisões são tomadas por todos (todos mesmo)
  • Participação de 20% dos lucros
  • Todos podem usar a roupa que acharem melhor

Vale a pena acessar o site da Semco (grupo empresarial em questão) para conhecer o que eles prezam como valores e justifica o título do livro. Além disso, Ricardo Semler fala de educação (muito interessante), do livro Virando a Própria Mesa, de um instituto para descobrir o DNA do Brasil, do projeto Primeiro Mundo do Brasil, compra de empresas, política, idéias inovadoras, explica como uma empresa pode manter crescimento 40% ao ano mais de uma década e muito mais. Só lendo!

Referências: